sábado, 22 de dezembro de 2012


Satélite


Em tudo depender de posições para existir,
Agir conforme destinações alheias,
Tudo isso em gradações complexas.
Talvez seja o orgulho que aflora nessas horas,
Ou a maneira de enxergar que propicie,
O fato é que a imaginação sempre transborda.

Existissem as coisas sem ordem, que seríamos?
Coisas em contramão, orquestra sem ritmo
As coisas justas em sua maneira de execução
Nos arredores, apenas o silêncio seria o guia
Mas alguém- Deus- insiste nos fatos naturais,
E benevolentemente nos dá livre arbítrio
Será ele loucamente sábio?
Talvez sim, certamente sim, ou vice-versa.


O Velho Enquanto Jovem


Malgrado o medo, não me excedo
Vou como aquele tiozinho de meias largas
Esperando que as imperfeições do chão não me derrubem.
Por isso os voos são curtos e os meios escassos
Enterrado em sensacionais pensamentos, o não viver.

Vez por outra encontro um jovem atípico, centrado, sentado
O banco da praça tem o seu cheiro, os livros escondem seu rosto.
Vive em um ascetismo de da dó, e que belos olhos ele tem!
Mas os velhos têm um legitimidade relativa,
Como explanarei ao jovem o direito à inconseqüência?
As palmadas não surtem efeito em bundas indiferentes,
E as partes do corpo são mais orgulhosas,
Decerto me faria visível, talvez criasse um encontro.
E que bonito seria!
Afogar de vida todo um hemisfério humano,
Vê-lo se deliciar com a seiva e depois o matar, bem mortamente.
Dessa imundície sairia um ser em puro estado de extinção.
Se somente os aptos sobrevivem, quem consumiria o restante?

É do estudo demográfico que sobreviverá o sonho,
E, porquanto promover contatos, saberá ruir o império.
Os que semeiam a desgraça da cautela,
Salutar não serão, muito menos injetarão
Nessa existência a disciplina!
É preciso ser promoter de si mesmo!
Organizar dedicadamente pautas,
Suar mediante trabalho agreste
E a fim de juntar os pólos,
Não existirá consolo maior do que o conhecer.
Conhece-te a si mesmo e verás o quanto,
Os causos nascerão do entanto e do conflito,
Do que temos e o que esperamos.

O “Apocalipse”



Quando a catástrofe chegar com suas vitelas pútridas,
E os rostos disformes enfeitarem o mundo com a feiúra,
Não haverá um só cristão, que, aterrorizado,
Se negue a persuadir os unicórnios a voltarem para a ponta do arco-íris.

Fase



O meu desejo é dente queiro,
Que de tão escondido e disforme,
Um dia se tornará fundamental.

Nuances



Hoje apenas me sinto triste
é como se tudo pesasse muito,
e a felicidade não abrandasse....

Muretas delimitam espaços sombrios,
e esse meu íntimo aterrissa em lugares inabitados.
no peito, apenas a velha chama, dura e certeira
nos gestos, apenas doses de encanto

Pra viver a gente abre clareiras e corta plantas,
Às vezes machucamos sem remorso pra desbravar-
-os objetos neutralizam os atos,
as intenções predizem catástrofes
Que quimera é a própria condição:
faz de mim o machado e o botânico.


Refluxo Estomacal



Parte de mim excede a razão
nenhuma coisa me proíbe
elevar socialmente o ego é possível,
galgando posições
mas essa ditadura é astuta,
pois não me completa, só estufa



Poema Ambulante


Aquelas barracas causam-me comoção
os vendedores me deixam entristecido
cada semblante com uma introspecção causticante
é como se fizessem uma prece silenciosa,
e carregassem dezenas de mim

Não sei o porquê desse afetamento,
temos as obrigações triviais
no mais, é a alma que sente,
embaraçando duros sinais

O fim é sempre partida,
despejando transeuntes
talvez o maior susto seja observar,
assemelhar-se ao objeto
saber que as mercadorias vão,
mas eles ficam