quinta-feira, 1 de maio de 2014

Aprendi a desenhar nos sonhos a medida de quase tudo


Não superei os insucessos
De todos os caminhos traçados
Atolei-me no alheio querer,
No esnobe do olhar, na boca de pedir
Equiparei o meu medo das portas
À maneira extravagante dos pecados
Fui tudo que pude, materialmente a ver,
Sem saber que pelo atrito, morria o agir.


Não fui pelos meus dedos o tato;
E o brilho desfez-se com tal maestria;
Era o imaculado ardor jovial,
Simples conteúdo do fato;
A grandeza que tinha em demasia;
Suficientemente para calçar mil pés;
Tudo hipoteticamente dependente;
Um movimento vital bastava,
Mas era ingênuo, anormal,
Sensível para eterno revés;
Calvário meu, tudo em gente.


A lucidez veio em figura esguia,
Cobrando contas altas demais,
Da fantasia retirando parcelas
Contrariando sentença que se lia,
Sendo, porém, incapaz,
De omitir as coisas belas.


Oniricamente, sou o que alivia;
Frio para tudo enquanto disforme,
Pérsia em meu íntimo, tão minha!
Saudável em sua calmaria,
Não apenas a noite dorme,
Eu também, pleno de tudo, em terraços,
Cosendo com formosa linha-
-Universo transfigurado em paz;
Sou tenda a abrigar abraços.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Cyber Sibéria


Dança comigo, doce bailarina dos bytes cibernéticos,
Pixels de um sentimento sem fim.
Até onde a tua carne me apregoa o medo,
Quando o que vejo em ti é misto de desejo e segredo;
Fontes de um apegar-se a mim?

Canções digitais não suspendem a última voz,
Pois faceiro em si mesmo é o sangue, que escorrendo,
Inunda o meu ser e a vida inteira;
Razão de tudo é o mistério que nos domina, desafia;
Que, pondo em xeque a certeza defendida,
Tira da inércia um ser amedrontado, mente doentia;
(Não sabe amar nem tentando ser poeira)
.
.
.

Queria eu achar uma relação de braços dados;
De home pages distantes ou de corpos aglutinados;
Que diferentes e a seu modo, me fizessem vivo;
E na sua inteireza e complexidade, com todos os seus pecados;
Colocassem-me em posição de guarda, a espreita...
O sentido morre e renasce,
Sempre há rumores estraçalhados pelos neurônios indiscretos.
Cabe resistir, porque as energias fluem,

Procurando dar abrigo e felicidade àqueles que se deixam.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Poema & fragmento



"Energizei-me de vontade, 
Fui envolvido por um coro de vozes.
No seu vistoso equilíbrio, pediram-me
Pareciam querer dizer que há sempre beleza,
Que as ilusões são como filmes da sessão da tarde."

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Por várias e várias vezes busquei no meu sobrenome outro sujeito


Quantas pátrias há dentro de mim? E de quantas machadadas morrerão as coisas que guardo? Se penso em desfrutar a simplicidade, vem os acontecimentos complexos (como tu) e me tiram do eixo, meio que arando novos lotes no mesmo terreno. A custo cumpro as decisões dos juízes que, totalmente sensíveis à causa, erram nas suas sentenças e acórdãos. A rigor, sinto em demasia as ausências, logo estas que não compreendem os limites estipulados pelas convenções, sobretudo as de caráter afetivo. Devido às arestas é que me humanizo pela dor, pela congestão sentimental que me força a reinventar a maiorias das coisas que conheço. Pelo simples tilintar de chaves eu renovo o sopro ( sei que daria muita coisa em troca de segredos alheios para substituir os meus).
            Por várias e várias vezes busquei no meu sobrenome outro sujeito, tentava e tento acalmar os desejos soltos em busca da libertinagem para encontrar os pecados mais sadios. Na maioria das vezes, a sensação do tempo me vem como um grande desperdício de energia, mesmo sendo esta o motor das engrenagens que movem os vigorosos encontros. Sabedoria de vida é um mergulho sempre para dentro, é um querer enfrentar aventuras e constituir marco-zero...
            Evoco os vários símbolos que remetem a minha identidade; e que estranho! Eles sempre adquirem um tom sobrenatural, todos eles buscam pessoas que talvez nunca voltem. Simples assobio na chuva... esse movimento de lábios que presume e imita os beijos dados, que rebuliçam as memórias. E nos dias de sol muita coisa parece tristeza, é tanto contraste, são tantas coisas bonitas a bombardear as minhas retinas que não saberia agarrar os sóis do universo. Vês que não minto? Saudades são anônimas quando não se vive de fato; já quando se ama os pesadelos molestam os nervos, são fantasmas que deixam de habitar objetos inanimados. Muitas pessoas chegam ao meu convívio à espera de provas; outras nunca virão, porque juras e dívidas só são válidas se forem de alma. Outros tipos chegam com uma intenção contratual, querem me prender por deveres dos quais não valorizo (esses me abandonam muito mais rapidamente).
            Por várias e várias vezes busquei no meu sobrenome outro sujeito, e o engraçado disso tudo é depender colossalmente da repercussão das minhas ações, muito embora tente dissimular o poder das influências externas na feitura de mim. Sou ser monumentalmente sem respostas, muito embora encharcado de perguntas. Venho dos grandes questionamentos, desses que predizem maravilhosos prodígios. E quanto a ti, amor atemporal, estou contigo na paixão, no bem querer e na amizade, porque aí reside o meu inteiro devotamento.

            Por várias e várias vezes busquei no meu sobrenome outro sujeito, queria alternativas que me fossem dadas por reluzentes oráculos. Dessa massa de procura é que sobra o pouco que maciçamente me constitui: a possibilidade. 

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Entre outras razões, fiz esse texto requentado, orgulhoso ainda,

para reforçar a pureza. É o paradoxo de viver, ainda que em “eu te amo”.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

 Poesia Amiga



Nesse momento eu fujo para dizer:
Minha amada, não me deixe!
Vivemos tantas coisas juntos,
Me despi tantas vezes,
Me vi acuado tantas vezes;
Mas surgia você a me salvar,
E endireitava os nós da vida.

Minha pequena, não me acovarde,
Não quero paralisar os ânimos-
Isto seria o fim de vários eus.
Se chegar a me faltar, que seja de vez!
A dor chegará em ato total,
Talvez mais humana,
Talvez mais sensata;
Mesmo assim o véu cerrará os ditos,
O meu passado sem eira nem beira flutuará-
-nos confins da história sentimental.

Não escrevo a título de manifesto,
É apenas um pedido de amigo,
Um simples apelo-
-De quem não vê muitas coisas em cristalino
É um pedido de menino, 
Uma bandeira leal hasteada,
De quem anseia fantasticamente,
De quem borda com sutilezas
As linhas do disforme mundo.

Poesia, companheira,
Pegue em minha mão.
Se acaso parar em alguma estação,
Pare comigo.
Pretendo dar boas razões para que continuemos
Confio em nós, creio na vida
E, mesmo que a metamorfose cesse,
Lapidados estaremos,
Mais vivos e amigos,
Encantados,
Com alegria,
Com Deus,
Na luz de quem se busca.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Istmo

Tão certo que não deu certo,
dois destinos transigindo,
queda de braço
O “nosso” tão distante-
morreu viajando, quase dormindo
Medo, poder e malícia
Esses seguranças não deixam passar
Joga-se o bote e não pulam os sobreviventes
Assim me vi perdido,
consumido por coisas lindas

.
.
.

Qualquer um pode, mas não deve
Há o momento certeiro,
Há!
Encontre-o!