terça-feira, 16 de julho de 2013

Istmo

Tão certo que não deu certo,
dois destinos transigindo,
queda de braço
O “nosso” tão distante-
morreu viajando, quase dormindo
Medo, poder e malícia
Esses seguranças não deixam passar
Joga-se o bote e não pulam os sobreviventes
Assim me vi perdido,
consumido por coisas lindas

.
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Qualquer um pode, mas não deve
Há o momento certeiro,
Há!
Encontre-o!

sábado, 29 de junho de 2013

Angelicalmente

Anja, assim intacta
Nenhum espectro a te cobrir
E na matéria mais vã,
enxertar os sonhos,
preparando o campo,
aliciando a ternura,
na espreita de gélidas estações
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Teus pesares são leves-
-oh, se são, comparados aos meus!
Sois arquiteta em tudo,
até teus cabelos,
entrelaçados aos meus,
(lindos efeitos fornecem)
Imagino episódios,
afastando infortúnios
Assim sou junto de ti,
porque não há malícia,
nem jogo de azar
Que me faça parir senão o amor;
E assim, vencendo o tempo,
sou parte da sua dimensão
dilatando a vida,
desenhando em teus braços,
para crermos unidos,
em testemunho,
que a esperança tecerá a manhã

sábado, 15 de junho de 2013

Acessos

"As memórias tecem vivos emaranhados,
às vezes,  sonolentas, gemem
Elas têm medo da frouxidão
Certas palavras ditas aqui e acolá poderiam-
ferir todos os poros do alfabeto,
redobrando sensações

Alguns metros de lembrança podem-
num só golpe, demolir
Podem também reavivar,
Eternizando seres, espíritos..."

terça-feira, 11 de junho de 2013

Permanece


Diagramas não aprisionam paixões
Pelas declarações de amor,
inflamadas
sussurros de alma,
é que deixaremos herança

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Inexato

Estas noites nas quais me encasulo,
serenas, medindo-me em malícia
É uma queda de braço metafísica,
Esperando ao final o gladiador

Em qual trincheira deixei o teu querer?
Se não eu, foi você?
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Prazer, ultimamente tenho tido em sonhos,
improváveis, sinceros em suas caricaturas
Carecer de sentido, às vezes, é esquivar-se
Sei que é penoso,
Mas vivo as sagradas escrituras.
Tudo isso...tudo aquilo..

Lorotas fúnebres não atraem colibris,
A paz é um campo a semear,
Porque em galhos frondosos pousarão,
As experiências primaveris
E onde estiver, mesmo em parte,
Receberei a vida de braços abertos.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Pequen(i)dade

Nasceu comigo a heresia de sentir,
Mas algo me tornou puritano
Nisso não cabe o onde, o como e o quando.

sábado, 4 de maio de 2013

Dia das Mães


Sabe quando aquele conselho faz toda a diferença? E quando aquela má notícia é amortecida pelo jeito solente e carinhoso do amor materno? Pois é, minha mãe traz todos os elementos necessários a contação de uma boa estória, ou seja, ela resume toda a história que é vivida e repassada para os seres que lhe são próximos e estimados. Por que focar apenas em uma, ou deixar escapar algumas matizes da sua personalidade? Ser mãe é um estado humano sempre inacabado, renovado cotidianamente pela dinâmica da vida, que de todos exige um pouco de malabarismo. Admiro a minha mãe em tudo, a começar pelos seus lindos olhos verdes, principalmente quando impõe o olhar cintilante, fazendo um gesto de repreensão e deixando enrugada a sua testa. Amo-a pelos seus defeitos ingênuos, que de tão simples, tornam-se caricatos e marcantes. Sou condicionado a reverenciá-la ad infinitum, uma vez que o seu amor também o é. Como pagar com indiferença o carinho mais sublime que podemos experimentar? Por tudo isso e muito mais (o amor sempre transborda), também tenho um carinho especial por todas as outras mães. O sentimento é universal, cabendo apenas algumas mudanças estritamente necessárias... É uma necessidade númérica, não há como apenas um ser humano exercer a digníssima tarefa materna com a qualidade mímima. As mães crescem em progressão aritmética, enquanto os filhos catalisam-se em crescimento geométrico (Malthus já falava). Quem quer ser bom filho deve exaltar onde puder a magnificência da sua mãe, resgatando nas memórias afetivas mais distantes o conforto de saber-se amado. A minha mãe supera as classificações; quixoteana em essência, espera apenas sonhar o seu mundo e dividi-lo. Não posso dizer mais do que isso pelo simples fato de escrever esse texto em pura e flagrante contradição: o verdadeiro sentimento é dado em segredo.