terça-feira, 11 de junho de 2013

Permanece


Diagramas não aprisionam paixões
Pelas declarações de amor,
inflamadas
sussurros de alma,
é que deixaremos herança

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Inexato

Estas noites nas quais me encasulo,
serenas, medindo-me em malícia
É uma queda de braço metafísica,
Esperando ao final o gladiador

Em qual trincheira deixei o teu querer?
Se não eu, foi você?
.
.
.
.
.
.
Prazer, ultimamente tenho tido em sonhos,
improváveis, sinceros em suas caricaturas
Carecer de sentido, às vezes, é esquivar-se
Sei que é penoso,
Mas vivo as sagradas escrituras.
Tudo isso...tudo aquilo..

Lorotas fúnebres não atraem colibris,
A paz é um campo a semear,
Porque em galhos frondosos pousarão,
As experiências primaveris
E onde estiver, mesmo em parte,
Receberei a vida de braços abertos.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Pequen(i)dade

Nasceu comigo a heresia de sentir,
Mas algo me tornou puritano
Nisso não cabe o onde, o como e o quando.

sábado, 4 de maio de 2013

Dia das Mães


Sabe quando aquele conselho faz toda a diferença? E quando aquela má notícia é amortecida pelo jeito solente e carinhoso do amor materno? Pois é, minha mãe traz todos os elementos necessários a contação de uma boa estória, ou seja, ela resume toda a história que é vivida e repassada para os seres que lhe são próximos e estimados. Por que focar apenas em uma, ou deixar escapar algumas matizes da sua personalidade? Ser mãe é um estado humano sempre inacabado, renovado cotidianamente pela dinâmica da vida, que de todos exige um pouco de malabarismo. Admiro a minha mãe em tudo, a começar pelos seus lindos olhos verdes, principalmente quando impõe o olhar cintilante, fazendo um gesto de repreensão e deixando enrugada a sua testa. Amo-a pelos seus defeitos ingênuos, que de tão simples, tornam-se caricatos e marcantes. Sou condicionado a reverenciá-la ad infinitum, uma vez que o seu amor também o é. Como pagar com indiferença o carinho mais sublime que podemos experimentar? Por tudo isso e muito mais (o amor sempre transborda), também tenho um carinho especial por todas as outras mães. O sentimento é universal, cabendo apenas algumas mudanças estritamente necessárias... É uma necessidade númérica, não há como apenas um ser humano exercer a digníssima tarefa materna com a qualidade mímima. As mães crescem em progressão aritmética, enquanto os filhos catalisam-se em crescimento geométrico (Malthus já falava). Quem quer ser bom filho deve exaltar onde puder a magnificência da sua mãe, resgatando nas memórias afetivas mais distantes o conforto de saber-se amado. A minha mãe supera as classificações; quixoteana em essência, espera apenas sonhar o seu mundo e dividi-lo. Não posso dizer mais do que isso pelo simples fato de escrever esse texto em pura e flagrante contradição: o verdadeiro sentimento é dado em segredo.

sexta-feira, 19 de abril de 2013




A Madrugada



O que vi hoje me machucou de tal maneira,
que por um momento achei que fosse o fim.
Pensamento egoísta que deságua em mim.
O passado em branco que de nada interessa.
Procurei mil razões no flagrante,
Insisti em desabitar o amor que reside,
O olhar no instante me cegou de repente.
Há um abismo entre nós, minha querida.
Saberei eu lidar com tudo isso?

No final das contas, ninguém errou,
Pulamos as fases por orgulho,
Das muitas palavras que sobraram.
O amor ficou intacto.
Dos meus caracteres que restaram,
Tive que ressurgir em mergulho,
Sabendo que muita coisa passou.

Inocentes somos nós, que machucamos,
Esperando repreensão feroz.
Na tensão da coerência,
Tecendo no outro a ciência,
Do que buscamos em nós.
Haverá uma noite em que não te procurarei,
Nesse dia, resplanderei para o céu de saudade,
Que é o descanso de quem muito ama.



Poesia da Noite Entristecida

Singela escuridão que me apavora,
É medo que chega em matéria
Convulsão de hora em hora
E triste é quem quer mandar na vontade,
Pois o amor vem e ultrapassa a necessidade,
Deixando a solidão como bactéria.

Vou tinindo como 'baliadeira',
Caça mirada, esperando companheira
Refluir de sensações em noites brandas
Contato combinado com distância,
Chega até a ser deselegância,
Cantar e não formar cirandas.
É um cantar penoso de dor, calejado
Porque o amor quando prensado,
Engole a alma que o mede
O querer bem que nada pede
É a marca que sempre vale.

Vou merecendo tal proceder,
Porque o orgulho que nada vê,
Um dia disse que não sofreria
Quis o claro, não o dia,
O amargo na satisfação
Eis a minha condição,
Da labuta incandescente
Falo e sinto como toda gente,
Porém vivendo mágoa minha.

Na alcova, choro miudinho,
Vergonhoso de tal situação
Querendo ficar no instante,
Como estória mal contada,
De maravilhas desabitadas,
Em sonho te aprisionando,
Porque o certo é caminho tortuoso,
Pois o apaixonado é tinhoso,
Carecendo de conselhos dos mais velhos.
Carrego duas arrobas de você,
Em sacos mal amarrados,
Com medo de ficarem cheios,
Vou tentando te esquecer.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Pela Liberdade. (Por mim e Raphael Bezerra)

Cansei de pensar pelos outros,
de repetir frases "nobres", à revelia.
Quero o que é meu: 
às sombras e falhas e vícios sublimes.

Quero exorcizar a cultura, a rima, os tons
E quero, enfim, me ver livre de mim,
da seiva que brota o medo de ser feliz.

Vou cantar à mãe Vida, a terra escura
que na poesia e na morte nos defende e sussurra:
Nos dê a liberdade, mas não para nós.
Livre o canto da natureza das garras do Eu
 .